Web 2.0 de brasileiros para brasileiros.
Web 2.0 de brasileiros para brasileiros.
Em evidência entre espirituosos alunos e professores, num país onde casos de corrupção e dramas do dia-a-dia eclodem na mídia, muitos estudantes ainda não conseguem enunciar a definição desse conjunto de ideais propostos pelas novas tecnologias. Também pudera, em um país aonde os efeitos da desigualdade social são sentidos na realidade de milhares de pessoas, seria pedir muito para que nossos jovens se inspirassem a ponto de esquecer por mais de alguns minutos o que os canais impressos e digitais nos lembram a cada intervalo.
Em qualquer nota de antigos e novos empreendedores, imagino que a busca dentro do chamado “ócio criativo”, deva ser praticado com maior concentração do que no tempo que levamos para nos informar. O que realmente importa dentro de nosso cenário, não é apenas fazer a crítica, mas divulgar, repetir e propagar, que nossos esforços para conhecer e trilhar um caminho por mais interessante que seja, se perde facilmente por não receber incentivos.
Somos intelectualmente “podados” pelas circunstâncias antes de chegarmos a maturidade das boas idéias. Ao contrário do que nossos heróis(professores) nos ensinam, somos instigados a pensar em “como ganhar dinheiro” antes de imaginar em “como criar algo melhor”.
Acredito e compartilho com outros amigos, que devemos continuar teclando em busca das boas idéias. A pensar e criar fazendo uso da tecnologia e não perder muito tempo admirando-a. A aprender com as novidades e elevar nossos preciosos momentos de ócio, a discussões em grupo que podem gerar novos mercados, sem perder de vista dois outros pontos importantes;
A ética, que consagra nosso compromisso como profissionais, e que irá transformar nossa jovem categoria de trabalho em realidade, por que por enquanto ela continua virtual e a mercê de empresários aproveitadores, cujo único interesse é aumentar seu lucro, sem se importar e com razão,com o reconhecimento e principalmente com a fase de aprendizado em que muitos jovens se encontram.
O dever ou a profissionalização, que anteriormente dito, é esfacelado por empresários. Com razão, por que não é dever destes elevar nossa categoria, mas sim o nosso. Dever de dividir conhecimento para fortalecer o grupo e não menos importante, o dever de refletir conhecimento, instigar projetos com beleza e funcionalidade igualmente equilibrados para conquistar uma posição e obter o reconhecimento.
Mas nós continuamos nos perguntando sobre o que é a web 2.0. E criamos tópicos em comunidades, conversamos pelos corredores, imaginando idéias tão magníficas em propósito quando em caráter lúdico. O futuro é a matéria prima de nossos sonhos. Se o ato de tornar a vida mais interativa e compartilhar conteúdo fosse a meta de cada discurso pelos corredores de agências e instituições de ensino, gostaria de criar neste momento a “faculdade do futuro”, aonde cada aluno fosse obrigado a entregar uma resenha sobre sistemas e programas que transformassem a rotina de nosso poder público em uma grande big brother, onde câmeras ligadas 24hs fosse obrigatórias pelos corredores do senado, e transmitissem áudio mesmo no “escurinho”, embaixo do edredom e com direito a uso dos craques da leitura labial.
Nos países aonde falar em web 2.0 é parte da realidade das pessoas, criar e inovar não é matéria em faculdade, é um critério inserido na cultura de toda uma nação. Falar em web 2.0 em um país onde muitas pessoas não se lembram em que região fica o Rio Grande do Norte, é um ato de bravura.
Somos a população que passa o maior número de horas na rede. Somos referência como público para aprovação ou não de muitos projetos em todo mundo. Os gringos vêm até aqui para descobrir se suas idéias são viáveis ou não. Somos nós os bravos. Saudações aos bravos! Continuemos bravos e não nos tornemos simples companheiros. Por que o tempo deles se renova, quando nós os bravos deixamos de transformar grandes idéias na cultura que alimenta o espírito deles enquanto ainda são jovens.
Originalmente publicado no site do CCPR* e no portal Opet
Autor: Pedro Orilio