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Categoria 'Empreendedorismo'

Historia da Gazeta do Povo

A “Gazeta do Povo” que Francisco Cunha Pereira Filho e Edmundo Lemanski compraram era considerado o último dos diários de Curitiba e estava praticamente falido. Salários atrasados, processos trabalhistas na Justiça, impostos não pagos e dívidas com fornecedores de papel. A rotoplana, que imprimia com dificuldade a edição diária de até oito páginas, era a mesma da fundação do jornal, décadas antes. O preço, entre 4 e 5 milhões de cruzeiros, mesmo em 1962, época do negócio, era elevado.

E os compradores, sem experiência na imprensa, não pareciam ser as pessoas mais indicadas para recuperar um jornal. Cunha Pereira, de tradicional família curitibana, era um bem-sucedido advogado criminalista, e Lemanski, de origem gaúcha e também advogado, era diretor de banco. O vendedor, dizia-se, contava com a incapacidade dos compradores para saldar a dívida e esperava ter o jornal de volta.

Hoje, a “Gazeta do Povo”, o jornal mais influente e de maior circulação no estado, é o núcleo da Rede Paranaense de Comunicação (RPC), que, com faturamento de R$ 550 milhões, é o segundo maior grupo regional de mídia – depois da gaúcha RBS – e um dos dez maiores do país. Publica também o “Jornal de Londrina” e controla duas emissoras de rádio e oito de televisão filiadas à Rede Globo.

A “Gazeta do Povo” tinha sido fundada como diário vespertino, em fevereiro de 1919, por dois advogados nordestinos, Benjamim Lins de Albuquerque, diretor, e Oscar Joseph de Plácido e Silva, depois de convencerem dezenas de empresários e famílias ricas de Curitiba a comprar cotas para lançar o jornal. Dois anos depois, Lins de Albuquerque deixou a sociedade e Plácido e Silva assumiu a direção até a venda, em 1962. No período, o jornal, que adotou um perfil conservador, passou a matutino e teve entre os acionistas o político Moysés Lupion, que chegou a possuir 50% do capital.

O que atraiu os compradores foi o potencial de expansão dos anúncios classificados da “Gazeta”. Com o rápido crescimento de Curitiba, o jornal atraiu grande volume de anúncios de imóveis e carros. Ainda assim, os primeiros anos foram difíceis e houve momentos em que os compradores pensaram em desistir. Em 1963, compraram um concorrente, o “Diário da Tarde”, para poder contar com uma rotativa Marinoni – aposentando a vetusta rotoplana – e com uma cota adicional de papel.

A “Gazeta” adotou a política de investir na contínua renovação do parque gráfico. Em 1969, adquiriu a primeira rotativa “offset” de grande porte do Sul e a segunda do país; em 1973, comprou os primeiros computadores para fotocomposição e nesse ano imprimiu uma foto a cores; em 1975, instalou o primeiro equipamento de leitura óptica da América do Sul.

Editorialmente, foi reforçada a imagem de jornal prudente e conservador. Ganhou influência e visibilidade pelas campanhas em favor das causas “paranistas”. O Paraná era um estado sem forte sentido de identidade. Fora separado da província de São Paulo em 1853. O núcleo do estado eram as áreas do litoral e de Curitiba – que surgiu como ponto de parada das tropas de burros que marchavam de Sorocaba (SP), até o Rio Grande do Sul, durante a colônia, o Império e o começo do século XX. A região Norte recebia grande influência de São Paulo; no Oeste e no Sul havia intensa imigração catarinense e gaúcha. As campanhas da “Gazeta” representaram forte contribuição para a fixação da identidade e da autoestima do Paraná. Além disso, o jornal batalhou pela concessão dos “royalties” de Itaipu, o abandono da monocultura do café, a construção da usina de xisto em São Mateus do Sul e o bloqueio para a formação do estado de Iguaçu.

Lentamente, a “Gazeta” alcançou a liderança. As edições de domingo chegavam a pesar mais de dois quilos.

Publicava mais classificados que os jornais de São Paulo e Rio. A empresa iniciou, então, um processo de diversificação na mídia eletrônica, ao comprar a TV Paranaense, em 1969, filiada à rede Excelsior. Em 1973, mudou para a rede Globo, dividindo ao meio com ela o controle de oito emissoras. Em 2000, foi formada a RPC.

Nos anos 1990, embora fosse o principal jornal de Curitiba, era visível a necessidade de renovação editorial. A redação estava inchada, mas só tinha dois telefones. Vários jornalistas eram também assessores de imprensa de órgãos públicos, criando conflitos de lealdade. A aparência gráfica parecia pesada e cansada. A “Gazeta” publicava poucas reportagens, chegou a ter nove colunas sociais e mostrava predileção pelas notícias positivas e pouco críticas do poder. O regime militar foi visto como uma “retomada da tranquilidade após a ameaça que os subversivos causavam à ordem”. “Nunca tivemos problemas com a ditadura porque o jornal era imparcial”, disse Lemanski na edição que comemorou os 90 anos do jornal.

A renovação começou pelo caderno “G” e pela cobertura dos assuntos culturais, de grande apelo no Paraná, mas que era inferior à de seu concorrente, “O Estado do Paraná”. O jornal mudou e melhorou. Foi o segundo jornal brasileiro a colocar suas páginas na internet, em 1995, depois do “Jornal do Brasil”, e o primeiro a usar papel reciclado. Houve também um projeto de reforma, parcialmente implantado, da Universidade de Navarra. Mas a crise econômica do início da atual década provocou profundo corte de despesas e atrasou o impulso da mudança. Nos anos seguintes, o jornal se tornou mais informativo, apostou nas reportagens, mudou a aparência gráfica e foram atualizados os procedimentos da redação.

Na década de 1990, a “Gazeta” chegou a vender 60 mil exemplares nos dias de semana e 120 mil aos domingos, mais do que todos os outros jornais de Curitiba somados. Mesmo assim, há um sentimento na empresa de que nos anos 1990 foi perdida uma grande oportunidade para aumentar as vendas no interior do estado. Na década atual, como a maioria dos jornais tradicionais, a “Gazeta” perdeu circulação. No ano passado, vendia 38,5 mil nos dias úteis e 75,6 mil aos domingos.

Em certa medida, essa queda foi provocada por uma redução de custos que provou ser desastrosa. A empresa decidiu eliminar boa parte da circulação em áreas do interior do Paraná consideradas antieconômicas. Mais de 200 localidades deixaram de receber o jornal. No interior, as vendas caíram de 18,6 mil cópias nos dias úteis e 32,1 mil aos domingos em 2000 para 7 mil e 12,2 mil em 2008. Essa política de retração possibilitou a consolidação de seu maior concorrente no interior do estado, a “Folha de Londrina” – 36,6 mil cópias nos duas úteis e 43,8 mil aos domingos, no ano passado – e a expansão de “O Estado do Paraná”, seu principal competidor na capital.

Mas a crise também permitiu à empresa consolidar sua posição nos negócios da televisão. Em 2002, as Organizações Globo decidiram reduzir sua participação no capital das emissoras da RPC, de 50% para 10%. O grupo comprou as ações. Precisou endividar-se, mas, conservador também nas finanças, conseguiu liquidar o empréstimo antes do vencimento.

Ao contrário da bem-sucedida diversificação nos meios eletrônicos, a “Gazeta do Povo” não teve os mesmos resultados na mídia impressa. O “Diário da Tarde” não conseguiu competir com a “Tribuna do Paraná” e parou de circular diariamente no início da década; hoje são impressos alguns exemplares dois dias por semana, para manter o título. Em 2001, lançou um jornal popular, “Primeira Hora”, fechado no ano seguinte. O “Jornal de Londrina” fora adquirido em 1999 para combater a “Folha de Londrina” em seu próprio território, mas as mudanças realizadas não caíram no gosto dos leitores nem de parte da redação, o jornal perdeu circulação e teve que mudar de estratégia: 23 mil exemplares são entregues de graça aos assinantes. A crise que começou no fim do ano passado, porém, frustrou as expectativas de alcançar o ponto de equilíbrio em 2009.

O controle do grupo permanece com as famílias compradoras da “Gazeta” em 1962. O presidente da empresa, Francisco Cunha Pereira Filho, faleceu em março deste ano. Foi substituído no cargo pelo sócio Edmundo Lemanski. A direção executiva cabe aos filhos de ambos, Guilherme Döring Cunha Pereira, Ana Amélia Cunha Pereira Filizola e Mariano Lemanski.

A “Gazeta do Povo”, o coração da RPC, continua sendo o jornal de referência do Paraná, preocupado em aumentar a credibilidade e a cobertura dos assuntos da capital e do estado. A linha editorial é agora menos conservadora e mais contundente e as páginas de opinião acolhem vasta gama de pontos de vista. Antes considerado pouco crítico dos poderes locais, é hoje o alvo predileto do governador Roberto Requião, que desenvolveu uma persistente campanha contra o jornal na TV pública e em “outdoors” nas ruas de Curitiba: “A Gazeta mente”, dizia um deles. Há sete anos o governo do estado não publica um único anúncio no jornal.

Quais são as perspectivas? A “Gazeta” tinha planos de comprar uma nova rotativa, mudar para uma nova sede, lançar um diário popular em Curitiba e um jornal impresso em Maringá, com base no jornal “online” já em funcionamento, e que seria impresso nas rotativas do “Jornal de Londrina”. Guilherme Cunha Pereira disse que a atual crise congelou os projetos de expansão da empresa, sempre conservadora nas finanças. Mas afirmou que o grupo, pela primeira vez, pretende sair das fronteiras do Paraná, investindo em novas áreas do setor de comunicação – sem revelar quais seriam.

Com vistas a um futuro digital, o jornal integrou as equipes das edições impressa e digital em 2006. O número médio de visitas mensais foi superior a um milhão no ano passado e foram vistas 123 milhões de páginas. O faturamento de 2008, de R$ 101 milhões, ainda mantém forte dependência dos anúncios classificados. Os resultados são escritos com letra azul, ao contrário de seus principais concorrentes. Hoje, a “Gazeta do Povo” é um dos raros jornais brasileiros cuja circulação aumentou desde o início da crise, no fim do ano passado.

Matías M. Molina é autor do livro “Os Melhores Jornais do Mundo”. Está preparando uma obra sobre os jornais brasileiros. E-mail: matias.molina@terra.com.br

Hyperlocal – Interatividade com o seu bairro

Diversas maneiras de publicar uma notícia têm sido utilizadas constantemente em uma era em que a internet é fundamental. Já vimos blogs de empresas, jornalistas e usuários, temos os históricos e atuais jornais, portais, o Twitter que levou um tempo para se firmar de vez aqui no Brasil, mas que agora obteve um aumento de 96,8% de tráfego somente no mês de março, e mais uma tendência estará chegando para incrementar o fluxo de notícias.

“Hyperlocal” é um novo modo de transmitir notícias, curiosidades e informações relevantes, para um público específico. Saber o que acontece em seu bairro tem atraído pessoas que antes precisavam se locomover para ir atrás do que queriam. Sites americanos como EveryBlock (www.everyblock.com), Outside.in (outside.in), Placeblogger (www.placeblogger.com) e Patch (www.patch.com) estão fazendo sucesso, pois divulgam informações que geralmente os jornais de grande porte não divulgariam, como o que está acontecendo ao seu redor, guia de restaurantes inspecionados, shoppings, imóveis a venda, obituários, além de links de artigos com notícias interessantes.

Um jeito diferente de dissipar uma informação relevante para um público específico. No EveryBlock você pode selecionar uma cidade, digitar seu endereço e logo em seguida ver tudo o que acontece perto de você. Notícias em tópicos ajudam o usuário a visualizar melhor o conteúdo, e ainda possui uma ferramenta que explora a sua cidade. No Outside.in os lugares são divididos em categorias como shoppings, restaurantes, cultura, educação, bares, espaços públicos e que, ao digitar o endereço, logo aparecerão as notícias relacionadas ao lugar que você digitou.

O Placeblogger e o Patch são os mais interativos. As pessoas estão localizadas em diferentes lugares, por isso é importante ter esses sites que postem assuntos relevantes aos diversos públicos localizados em cada região. O Placeblogger traz um mecanismo de RSS que ajuda você localizar blogs em função da sua localização, o que proporciona uma pesquisa mais restrita. O Patch traz informações a respeito de crimes no seu bairro, obituários, teatros, músicas, ações governamentais na região e notícias. Para cada lugar procurado, o endereço do local aparece em um mapa que mostra a distância que será percorrida. Cada um com sua peculiaridade, mas todos com grande atuação no mais novo mercado de notícias.

Há tempos empresas têm tentado evoluir esta idéia para atrair anunciantes, mas o crescimento das notícias personalizadas se deu há poucos anos. A transição entre as notícias de antigamente e as de agora abre portas para novos caminhos de divulgação, mas assim como uma mídia tradicional, é necessário que haja receitas suficientes para manter um site no ar. Um ponto negativo é o fato de o site ser destinado a um número pequeno de pessoas, e com isso o acesso às notícias também diminui, o que causa a escassez de anunciantes. Para isso é necessário que tenha um fluxo maior de leitores.

Apesar do difícil acesso às grandes publicidades, pequenas empresas têm investido fortemente neste segmento. Por ser em site e visto por poucas pessoas (comparado a jornais), empresas de cada bairro buscam esse tipo exposição, pois o retorno é grande. Lojas de roupas, sapatos, funilarias e até padarias colocam sua propaganda chamando a atenção dos usuários de sua região. Com recursos ilimitados e em constante transformação, os sites podem ser pesquisados também pelos celulares. Um celular que possui GPS, por exemplo, pode ajudar o leitor a encontrar artigos que estão disponíveis nas localizações determinadas.

Com tanta tecnologia e inovação, é possível gerar dúvidas a respeito da continuidade dos jornais tradicionais. O novo gerador de notícias às vezes possui uma ou outra informação incompleta. O intuito é fornecer subsídios que um jornal grande não conseguiria captar, e chamar a atenção do público interessado com o que ocorre ao seu redor, mas a credibilidade sempre será um ponto a mais para as mídias impressas não desaparecerem.

Fonte: Imasters

Forum de Mídias Digitais e Sociais

O Forum de Mídias Digitais e Sociais vai acontecer nos dias 05 e 06 de
dezembro em Curitiba.

http://www.forumdemidiasdigitais.com.br/
Sobre o Evento

O Fórum de Mídias Digitais e Sociais surge com a proposta de se alinhar
todos os canais de mídia digital, social e interativa em um grande debate,
para se entender as melhores práticas, tanto no desenvolvimento de
estratégias, uso das ferramentas disponíveis, quanto na mensuração dos
resultados.

O foco central do FMDS são as iniciativas empreendedoras que estão surgindo
com os novos canais de comunicação, relacionamento e negócios bem como ser
um grande encontro entre profissionais de todos os segmentos, passando por
anunciantes, agências de comunicação e marketing, profissionais que geram
conteúdo, veículos e a comunidade acadêmica.

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